BERTRANDO
Conheço poucos sítios onde me apeteça menos comprar livros do que na Bert. do Chiado. O critério de apresentação é mais que discutível: babilónico. Novidades misturam-se com coisas ressequidas, bom com mau, light com heavy. Os autores mais reputados são metidos ao pontapé no cantinho do fundo. Por isso, quem quiser um Vergílio Ferreira já sabem onde tem de cavar.
O cúmulo aconteceu no outro dia, que ficou para a História como O DIA DOS TELEFONES. Uma empregada aspirante a reformada estava ao telefone com uma amiga; em alto e bom som resolvia os seus problemas domésticos enquanto os clientes folheavam. o que era humano e até compreensível. O pior foi quando um cliente chegou ao pé dela e lhe perguntou se tinha alguma coisas sobre "estádios", sobretudo o Stade de France. Ela respondeu, seca, que não e que se houvesse seria para ali... (apontou para a secção de arquitectura). O senhor atreveu-se a dizer que lhe parecia ter sido ali que tinha visto um livro sobre o referido assunto. Ela fulminou-o com o olhar e avançou na sua direcção negando tal possibilidade. Quando voltou para a sua camarata, o homem levantou um livro e disse-lhe, pouco triunfalmente, ORA AQUI ESTÁ UM. Ela pareceu não acreditar, mas, depois de examinar o volume com olhos de águia, lá lhe concedeu que, de facto, era sobre estádios.
Na secção seguinte, outro empregado (este mais amável), também resolvia um problema doméstico que metia água ou luz, já não me lembro.
Só posso dar graças a deus por não ser sócio desta empresa... Livra!
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